...Pateticamente impossível. Por vezes, eu simplesmente não acredito, e meu cérebro permanece tentando interligar as pessoas que ele era ...

...Pateticamente impossível.
Por vezes, eu simplesmente não acredito, e meu cérebro permanece tentando interligar as pessoas que ele era e é... ali, tão perto.
Percorro os desenhos com a ponta dos dedos, traçando uma linha continua, como ja fiz tantas vezes - milhares - ao longo dos anos.
Conquanto não bastasse, também eu preciso buscar constantemente as ligações entre aquela sami de tanto tempo atrás e está que aqui está.
Confortavelmente aconchegada, eu suspiro:
"É isto, simplesmente o é! Nada falta."

...esquecimento etílico Tão raro, raríssimo Em que "Tudo está bem" soava aos seus ouvidos  Esquecia que as vezes lhe preo...

...esquecimento etílico
Tão raro, raríssimo
Em que "Tudo está bem" soava aos seus ouvidos 
Esquecia que as vezes lhe preocupava o futuro. 
Somente às vezes.
Mais gostoso era ainda
A dança e o riso
A cerveja que descia bem e o cigarro ocasional
Vamos, me ame para sempre 
Dance comigo até o próximo ano
Viva comigo o que nunca viveu


Vestiu o casaco. Chorou.

....as regras Do que é socialmente aceito Ou desejável  Ou lógico  Quebrar e sorrir Factualmente  Etilicamente  Sem sossego...

....as regras
Do que é socialmente aceito
Ou desejável 
Ou lógico 
Quebrar e sorrir
Factualmente 
Etilicamente 
Sem sossego, ou caos
Só existir, embriagada e solicita 
À favor do vento
E dos sonhos 

Como eu tanto quis

Uma porçao de vezes e um pouco mais. Porque? Por estar triste, cansada. Não... Não... Não... .... Nadienka já achava que o ...


Uma porçao de vezes e um pouco mais.
Porque? Por estar triste, cansada.
Não...
Não...
Não...
....
Nadienka já achava que o mundo era  um lugar ruim a muito tempo. Pela vida, tinha pouco apreço...Nunca lhe teve muita fé. 
Neste momento não tem força - não o suficiente - nem física nem mental. Disseram a ela que o joio era mais forte que o grande carvalho: dobrava-se, cedia ao vento forte, enquanto o carvalho partia-se.
Não é verdade Nadienka, veja, ambos se partem... Um por fora e o outro por dentro. 
Nadienka pensava em partir...
...partiu-se.

Texto de 28 de abril de 2016


música feita por pecadores. música que purifica a alma desta pecadora. as vezes vejo a fumaça, as vezes sinto o perfume do cigarro...

música feita por pecadores.

música que purifica a alma desta pecadora.

as vezes vejo a fumaça, as vezes sinto o perfume do cigarro.


as historias vividas sem planos, sem sonhos, pequenas as vezes por serem contidas em algumas horas, morrem assim, desaparecem bem devagar como a fumaça do teu cigarro se desenrola no ar e desaparece.


odeio e amo os seres humanos. odeio e amo o modo como eles caminham para tras dos meus dias, das minhas horas.

odeio e amo o fato delas sempre mudarem e me deixarem seguir em frente.

odeio e amo ver essa fumaça prateada, o que restou de ti.

um brinde ao nada eterno, eu brindo com musica.

eis aqui um "adeus" sem nada de tristeza, nem mágoa, sem nada.


texto de 3 de outubro de 2007

As vezes é muito explícito. Tanto quanto andar nú pelas ruas. Tanto quanto confessar uma paixão ou ser pego -sem escapatória- em uma ...


As vezes é muito explícito. Tanto quanto andar nú pelas ruas.
Tanto quanto confessar uma paixão ou ser pego -sem escapatória- em uma mentira.

Leio e releio os pequenos textos, e me parece como que escritos em carne viva. Não tenho coragem de compartilhar... De admitir, assumir o que aquilo significa.

Viver a rolar em metáforas é confortável e doce. De um lado é macia como algodão e a imaginação das lembranças mais perdidas, do outro é áspero como uma lixa, a feiura das dores de cada vivência. 

Não é que eu transforme tudo em algo suave, é que me falta a coragem da crueza, me falta admissão, falta ... Culpa.



Digo, realmente estranhas. Extraordinárias.  Triunfo do dualismo: dois princípios o u realidades irredutíveis entre si. Vais te enrolan...

Digo, realmente estranhas. Extraordinárias. 
Triunfo do dualismo: dois princípios ou realidades irredutíveis entre si. Vais te enrolando numa trama tão complexa que ja não se sabe o que faz e ocupa-se só de fazer!
Tudo parece apropriado também ao outro, que certamente vai gostar como tu, seja lá de que absurdo tu esta a pensar ou ver ou fazer.
Fome insustentável de saber todas as coisas - e improváveis coincidências - que ainda não sei e que supreendentemente existem! 
Ou querer que o tempo pare de correr mas que também, sem mais, corra mais rápido! 
Querer ir e querer ficar. Querer que fique e que vá embora. 
Pensar e não dizer, ainda que jamais dizer e não pensar. 
E finalmente -ainda que nao muito satisfeito- descobrir aquela coisa terrível e rastejante, cheia de tentáculos que superlota uma sala antes vazia na tua mente e põe em equilíbrio voltívolo o que era só alegrias. Sempre a sussurrar e a grudar em tudo! "A pior sensação do mundo", me disseram, sensação que tu conhece mas não quer a cura!
Por fim querer mais e quanto mais ter, mais querer. 
E mais.
Mais.

Porque elas eram tres, completamente opostas e em constante discussão. Agora enquanto a mais boba e sonhadora está quieta, distraída a guia...

Porque elas eram tres, completamente opostas e em constante discussão. Agora enquanto a mais boba e sonhadora está quieta, distraída a guiar-lhe o corpo e as ações as outras duas discutem:
-"Inferno de mulher!" - Sami diz, exasperada a agarrar os próprios cabelos - "Tu me tens assim, os punhos atados com este cordão áspero, trançado a partir de tantas convicções perdidas."
- "inferno, eu? " - debocha Eva - "Nao eras tu o equilíbrio? Já não sabe o que queres, vive do medo cultivado e cativo enfiado nos bolsos daquele casaco pesado de inverno...porque tu sentes frio.....sentes frio o tempo inteiro, desde os ossos, de dentro para fora e há muito tempo, tanto que passou a ter medo do calor!"

- "Droga... É BOM." - Diz Sami, cansando finalmente de lutar. - "Mas deixa lá a pequena por enquanto... Preciso descansar!"- suspira, deitando devagar a cabeça ao colo de Eva -"ja vou muito cansada de equilibrar tudo, vão as duas brincar, quando eu conseguir acordar, retorno." 

Eu me pergunto frequentemente. Talvez seja justamente o caos. A ruína, o cenário decadente dos meus pensamentos. Sempre foi algo de tã...

Eu me pergunto frequentemente.
Talvez seja justamente o caos. A ruína, o cenário decadente dos meus pensamentos. Sempre foi algo de tão completamente errado, moralmente sujo, gostoso e feliz.

"Cena de filme independente europeu.
O lugar, a musica, a cidade existindo lá fora."

 Ok.

(Escrito em 5 de março de 2016)

Fazia já um ano - pouco mais, na verdade - que não sentia esta dorzinha, e não sei dizer muito bem se é dor. Parece bastante como se eu...

Fazia já um ano - pouco mais, na verdade - que não sentia esta dorzinha, e não sei dizer muito bem se é dor.
Parece bastante como se eu já estivesse de espartilho a muitas horas, uma pressão que vai te deixando sem ar.
Certa vez li algures uma pesquisa que indicava que algumas coisas podem partir um coração

Brincalhona, séria, reta. Minuciosa, ambiciosa e expontânea, desastrada. Rápida, lenta e sonhadora. Criativa, triste e feliz. De si...

Brincalhona, séria, reta.
Minuciosa, ambiciosa e expontânea, desastrada.
Rápida, lenta e sonhadora.
Criativa, triste e feliz.
De si, de ninguém, só dele.

Ela é discreta quando quer ser. Quase não dá para notar ela ali no canto, isolada. Mas presente, ela faz questão de sempre estar presente. ...

Ela é discreta quando quer ser. Quase não dá para notar ela ali no canto, isolada. Mas presente, ela faz questão de sempre estar presente.
Não é nem feia nem bonita, é comum e opaca, ordinária.
Tu pensa nela as vezes, tu a procura com os olhos só para certificar-se de que ela está lá ainda e quando a encontra ela sorri, acena talvez, de longe.
Tu não lembra de alguma parte da tua vida em que ela não estivesse por perto e isso é tão estranho! E se tu pensar muito sobre o assunto ela parece aproximar-se, ganhar nitidez, uma confiança tímida, parece um pouco bonita até.
Ela é só romances do século XVII, sempre obscura, de final trágico, ela gosta das rosas e dos espinhos, arautos da morte do amor.
Depois há qualquer coisa que te distrai e ela se afasta. Se tu usa drogas, ela mantém-se longe também, mas não tira os olhos de ti.
Quase uma dança, um flerte eterno.
Deixa eu te dizer.... As vezes não há distração, não há drogas nem todos aqueles teus amigos ao redor que façam ela ficar ao largo! Quando tu percebe está junto de ti, enrolada como um polvo em todo teu corpo. Tu não tem tmais ânimo, não tem mais fé. Tenta acordar e andar e fazer tudo com ela assim presa a ti mas é difícil e confuso.
Quanta paixão. Um tentáculo a lhe apertar o cérebro e o outro o coração. Estes parecem sempre prestes a estourar como uvas.
Hoje escrevo e ela está aqui, junto de mim. Imagino que nao tenhas ciúmes, há muitas delas pelo mundo. Se ela tivesse um corpo o rosto estaria tão colado ao meu que os cílios me fariam cócegas na bochecha. Está enrolada. As vezes ela me diz que é tão simples a solução... Viver cansa.
Eu desejo que ela se vá. Eu repito e repito, à espera que me ouça: não te quero, Depressão. 

O que não tem solução solucionado está Mil vezes contada a história  Mil vezes de trás à frente  Mil vezes o fio dessa trama a ...



O que não tem solução solucionado está
Mil vezes contada a história 
Mil vezes de trás à frente 
Mil vezes o fio dessa trama a ser puxado incoerentemente, torcido, esticado ao limite
Limítrofe da paciencia, da  desventura, da razao

Eu queria saber coisas de ontem, mas deixe, já está, já está.

"Dane-se" Ela disse ao fazer saltar as cartas do baralho que tinha acabado de reorganizar.  Não há sossego sem o caos. Não há...

"Dane-se" Ela disse ao fazer saltar as cartas do baralho que tinha acabado de reorganizar. 
Não há sossego sem o caos.
Não há um só olhar gratuito no mundo. Não há um ato sem motivo.
Não há nem sequer voz se não houver silencio.
Não há caos sem sossego...

...Em qualquer hipótese. De qualquer forma... Simplesmente não há.

Houve qualquer coisa dita - ou não dita - que parece ter acionado o gatilho de uma arma imaginaria apontada para minha cabeça. (Solução...

Houve qualquer coisa dita - ou não dita - que parece ter acionado o gatilho de uma arma imaginaria apontada para minha cabeça.
(Solução Hemingway?)
Já a dias eu carrego essa sensação de que algo está prestes a estourar. Meu autocontrole, antes um motivo tão grande de orgulho, parece agora suspenso por uma frágil teia de auto-afirmações. 

Vai-se vivendo...cheia de coisas nos braços - todas as questões que constituem uma existência - entando equilibrar-se em uma linha - a própria existência - e, como se não bastasse, uma espingarda carregada e suspensa - o famigerado autocontrole - sob a cabeça. De loucos. Headshot. 

... Eles sempre tem um pouco de nós, as vezes os olhos ou o jeito de andar, o tom da pele ou uma vontade É impossível negar-lhes a própri...

...Eles sempre tem um pouco de nós, as vezes os olhos ou o jeito de andar, o tom da pele ou uma vontade
É impossível negar-lhes a própria genetica.
___
- "É com certeza algo" - refletiu ele, deitado, ouvindo uma música tranquila - " As vezes não sei bem se esse algo sou eu, só, ou se realmente somos.
As horas, os dias e as semanas passam como segundos, os anos voam sobre nós."

Lucius não era bem o tipo de pessoa que costuma cogitar muito uma ou outra coisa, se era algo, era e ponto. Mas aquilo ali... Aquilo permanecia suspenso, ele agarrava-se a isto como um menino segura firmemente o cordão que prende um balão de hélio, numa estranha certeza de que se lhe escapasse pelos dedos jamais alcançaria de volta.

Bem, ele está certo. Não que em algum momento ele aceite isto como um fato. Prefere ver como algo enevoado, incólume perante tantas coisas que poderiam afeta-lo se fosse diferente. 

As vezes é melhor considerar que não é nada. As vezes é melhor nem pensar.
O que se pode obter se por acaso arriscar?
...
- " as coisas devem enquadrar-se serenamente e com solidez - ele remexe-se um pouco à frente do computador, irrequieto só de pensar como as coisas devem ser - eu vejo que parece estar sendo assim, as grandes questões estão resolvidas, ainda bem." 

Bernardo não gostava de alterações. Se algo faltava ou encaixava-se mal, reagia como se o mundo lhe estivesse a ser injusto, cruel deliberadamente, a culpa nunca estava em si, antes estivesse em outro, pois se fosse sua.... A dor seria imensa. Cedo aprendeu o lugar da exatidão onde não há que se titubear e portanto não existe dor. 
Tem a companhia de que precisa, e lhe basta, contanto que ela esteja bonita, como ele merece.

Como qualquer pessoa que em algum momento resolve crer que tudo está resolvido, ele está fatidicamente - e tristemente - enganado.
....
- " silêncio, posso ficar em silêncio - pensa ele sentado à uma cadeira próxima da água, a bebericar cerveja - As coisas quando não são ditas em voz alta eximem-se de crescer em dimensão."

Francisco se considera um fracasso irremediável. Tem tudo o que gostaria de ter mas há qualquer coisa que lhe falta, vive uma vida normal, dia após dia, pequenos problemas surgem e se vão, os filhos crescem. Mas há ela.  Tão parecida e tão diferente de si, o faz pensar em tudo que poderia ser e não é, e o todo que não foi. Quer falar com ela, mas não fala. A admira pelo mesmo motivo que a repudia: ela arrisca, fala alto e em bom som. Alto demais. Silêncio.

Sim, certamente mais parecida com ele do que imagina, ainda que um dia quando ele quis de fato imaginar, assustou-se e lamentou....por se considerar um fracasso. 



Errado e errado, da forma certa eu secretamente consumo. Inadequadamente, descaradamente, eu consumo.  Parece incoerente, do avess...


Errado e errado, da forma certa eu secretamente consumo.
Inadequadamente, descaradamente, eu consumo. 
Parece incoerente, do avesso de mim, assim tão séria, reta. 
Mas te digo que amo entorpecer-me, errada e errante nas linhas tortas da vida, onde todo clichê é bem-vindo.
Não julgue, não julgue... É desperdício: a sentença só tem efeito àquele que de fato sente-se culpado.
Consumo, sim, e me perco, numa viagem que dura as vezes toda uma noite, divertida, luxuriosa.
Sorrio, tao longe dos problemas, sem nem cogitar dilemas ou ideias autopunitivas.
permanece em mim por vezes dias e dias, pulsando vivas, luminosas nos cantos dos olhos.
Meu certo, tao errado, é tão culpado quanto pode ser, e eu já ando nesse caminho, assim tão firme, a tantos anos quanto sou dona de mim.
Droga perfeita, cruel...Veja bem, veja com dedicada lógica e métrica: 
Meu errado, tao certo, é tão amado quanto poderia ser. 

por que tu não te lembra e eu fui feita para lembrar. Há qualquer coisa que me sustenta, uma rede de linhas tênues, repuxadas em minhas p...

por que tu não te lembra e eu fui feita para lembrar.

Há qualquer coisa que me sustenta, uma rede de linhas tênues, repuxadas em minhas partidas asas.
Penso em ir, erguer-me do chão, flutuar sobre a terra, voar como as vezes voo em meus sonhos. Mas vejo que se fosse assim, não seria nada, ou sobraria só o que tenho sido. E minha vaidade se divide.
Ainda quero ser, como já em outros tempos fui, e veja só: sou capaz de te contar ainda as historias:

Me agradava partir aquelas folhas fibrosas à beira do rio. Era coisa dos escribas, e me era suporto colher. Ali contariam historias, vidas lindas e breves, palavras dos mortos. Sabia escolher muito bem apenas tocando nelas e portanto eu fora poupada, apesar de não poder ver. Entendia o mundo por que já o tinha visto durante meus 8 primeiros anos de vida, não me assustava ter vivido os últimos 9 na escuridão.  Lá dentro, ao abrigo do sol nas câmaras dos meus deuses, tu eras só uma voz, a contar-me historias enquanto eu percorria com as minhas mãos as paredes talhadas pelas tuas. 
Tu tinha pena que eu não podia ver, eu amava poder sentir.
Cheguei tarde, ou tua voz se calou muito cedo, roubada por seth em uma noite sem lua.
...
Houve uma época, de rendas e cetins alvos como as nuvens de verão, apenas o que era suposto uma mocinha decente usar. Era uma tarde fresca naquele jardim, o par de bancos um de frente para o outro e acima o arco de rosas.
Nós três sonhávamos em sermos como as bruxas que escolhiam seu destino, e tinham a sorte nas mãos, naquela tarde fizemos pequenos camafeus, dentro do tecido bordado uma mecha de nossos cabelos e o nome das nossas paixões.
Quando mais tarde vieste, sentado do meu lado num dos bancos e a acariciar meus pés passei-lhe o pequeno artefato discretamente com medo de ser vista pelas duas no banco à frente, deste-me o sorriso mais encantador, pois já não importava o que era, fosse o que fosse, amávamos esses pequenos cuidados. E eu, já naquela vida, guardava as lembranças em frascos tortos de boticário.
...
Em outro tempo, eu pintava os olhos com pó de asas de borboletas, enrolava-me em peles finas de animais, punha em meus olhos cílios postiços feitos dos cabelos grossos e negros de crianças indianas. Pérolas, algodão egípcio e rapé, amei todos os vícios.
Por esta época, nos vimos, fui-me embora, a mão direta enluvada pousada no leme de um barco sem rumo. Era tudo tão impossível! Chegara muito cedo e sabia que não havia espaço. Segui, sozinha, por aquela existência.
...
procurei acertar e ainda assim parece-me que errei, uma, duas, mil vezes, pois com exceção das memorias mais antigas, em todas tu estava lá, em todas passaste por mim, em todas marquei em ti - indelével - a minha presença... e em todas eu parti.
Sou criatura feita dos erros, indomável, perdida, tenho já vontade de partir, mas isto por não ver porque deveria ficar, e veja só: Há sempre um outro tempo, prestes a começar.

me deixe contar e recontar, as historias dessas pessoas que vivem na minha cabeça.

... um rapaz sem qualquer qualidade marcante, esguio, cabelos ate abaixo dos ombros e cara de rato, com diminutos olhos negros, brilhantes....

... um rapaz sem qualquer qualidade marcante, esguio, cabelos ate abaixo dos ombros e cara de rato, com diminutos olhos negros, brilhantes. 

"Aqueles olhos não combinam com o resto" pensou a velha sentada à uma pequena mesa de um café qualquer. 
O rapaz entrara de repente, como que perdido, as mãos nos bolsos. Parou ao balcão.

"Qualquer lugar serve quando não se sabe onde se quer ir, afinal de contas" pensava o rapaz com cara de rato, esperando seu expresso. Observava de soslaio as pessoas ao redor, ultimamente andava sempre observando, já que tinha pernas e algumas -muitas- dividas com tacos de baseball.
A velha pareceu-lhe um bom alvo: uma coroa com ar de boa vovó, ela cheirava a grandes presentes de natal para seus netos mimados, fascistinhas arrogantes. Céus, devia ter uns 80 anos. Assim tao perto do criador, bem poderia pagar-lhe o café.

Ela recebera seu cappuccino e estranhamente cavava com a colher um buraco central no topo da espiral de chantilly, com um sorriso torto no rosto branco-pálido. Olharam-se. Foi até ela e pediu licença para sentar-se à mesa.

" por favor" ela respondeu sorrindo.
- não lhe quero incomodar mas... A senhora lembra muito minha amada avó, sabe... Eu a perdi ainda com 12 anos.
- é mesmo? - disse ela sorrindo, comendo em pequenas colheradas o chantilly polvilhado de canela. - qual o nome de sua falecida avó? 
- é.. Era Helena...
A velha continua a tomar seu café. Os olhos mortiços, quase indecisos entre serem claros ou escuros, pousados nos dele. 
- eu sinto realmente falta dela sabe... Sinto mesmo, eu a amava.
Silêncio. Tanto quanto é possível se ter silêncio em um café. Os olhos dela. O sorrisinho torto com as pequenas colheradas de chantilly. Parecia tão errado, de alguma forma.
Ele sentiu algo gelado nos pés, a enrolar-se nas canelas e subir ate os joelhos.
"maldita velha que não me acompanha, malditos olhos de tubarão " pensava o rapaz, a cara lembrando ainda mais um camundongo. 
- desculpe, a senhora não tem vontade de conversar, vou...
- Eu amei alguém como você - ela disse, sorrindo -alguém que achava que o amor era moeda de troca.
Um segundo antes de sentir-se ofendido, o frio subiu-lhe pelas pernas, dentro do jeans, dentro dos ossos, como muitas mãos geladas, tateando.
- esse alguém, - continuou ela, terminando finalmente com o chantilly -  fazia-me sentir ao mesmo tempo especial e descartável.
O frio agora lhe abraçava o estômago, não pode conter um calafrio.
- o que... Não sei o que há comigo - ele disse, estremecendo - porque não trazem logo meu expresso? - perguntou, inquieto. Olhou para o balcao, a barista estava conversando com uma mulher.- ei! EI! Onde está meu expresso? EI, NÃO OUVIU? - Perguntou ele, levantando-se. A mulher atrás do balcão conversava, tranquila. 
O frio estava agora dentro do peito, entre as costelas. Parecia lhe apertar o coração. 
- porque ela não ouve?
- sente-se querido, está tudo bem.
Ele sentou-se, confuso, o frio dói, e o que ela diz.... Precisa ouvir o que ela diz. Parece importante de alguma forma.
- sinto frio - resmungou encolhendo-se 
- eu sei. 
- não estava frio antes. 
- não meu bem, mas escute a história.
- sim...- sentia-se como que sedado - O que aconteceu a ele? 
- ele se foi, há muitos anos, eu ainda tinha menos da metade da idade que tenho agora, com ele se foram também muitas coisas, muita dor, ciúmes e solidão. O amor não, este sempre fica.
Como duas mãos ao redor de seu pescoço, o frio parecia sufoca-lo, o corpo formigava, insensível, endurecido tal como ficam as mãos expostas à água em dias de inverno. 
Ele se levantou, levou as mãos ao pescoço, em agonia. 
- o que é isso? Ah ... O que é isso? - balbuciou tremendo de frio
A velha, impassível, tomou um gole do cappuccino sem deixar de olhá-lo.
Aqueles olhos, aqueles olhos frios que atravessam.
- isso, meu amor, é o que sempre acontece quando conversamos, preste atenção e verá que não está realmente acontecendo, pois você não tem mais um corpo para sentir dor. 
- com quem está falando vó?
A velha olhou para o lado, seus olhos pareciam secos, ardiam.
- ninguém querida - respondeu sorrindo à moça ao seu lado - que bom que chegou!
Beijou-lhe as mãos, contente, e elevando a voz pediu à mulher no balcão : "querida, faz-nos outro cappuccino, também com chantilly, por favor."



Dedicado a Stephen, que adora pessoas com cara de rato.

É escuridão completa, ainda que eu veja pontos de luz, faíscas momentâneas no meu plácido sossego. Vivo sem viver, a flutuar em sonhos i...

É escuridão completa, ainda que eu veja pontos de luz, faíscas momentâneas no meu plácido sossego.
Vivo sem viver, a flutuar em sonhos inertes, dobras de espaço tempo que me entediam
De quando em quando, nesse universo, buracos negros dançam, formando nebulosas explosões de cor
E quando teu inconstante olhar, estrela incandescente, deita-se sobre mim, lua boba que sou, me ilumino!



Nota : a imagem acima é parte do projeto - adiado por anos - de ilustrar meus textos. Finalmente comecei. Que emoção,  depois de ilustrar 3456 coisas de todas as pessoas do universo eu resolvi ilustrar para mim! nem acredito.

Ora essa! Como se, de tantos descontroles, eu tivesse tão logo domínio sobre isso. Minha mente escreve o que quer e quando quer, e o p...

Ora essa! Como se, de tantos descontroles, eu tivesse tão logo domínio sobre isso.
Minha mente escreve o que quer e quando quer, e o papel de algodão, vivo, bebe a tinta sofregamente. 

Certa vez dei fim em um deles, lembro-me bem... Mas logo outro veio e depois outro e todos tiveram o mesmo destino: o fogo. Tal qual o que é escrito é incendiário. 

Por fim, quem dera, eu nao pude domá-los, essa dupla marginal. 
Esses pensamentos que não posso conter, esses cadernos que se querem preencher.

... Num corredor bem proximo. O salto martela numa frequência pouco obvia: há muitas curvas no labirinto. Ela vem me dizer coisas. Perg...

...
Num corredor bem proximo. O salto martela numa frequência pouco obvia: há muitas curvas no labirinto.
Ela vem me dizer coisas. Perguntar coisas.
Senta-se elegante e bonita com as pernas cruzadas daquela forma especifica e diz sombriamente que devo dar um tempo. Ela vai ficar no meu lugar.
Eu vou, e entao...
...2/3 de mim estao de ferias. 

É cheio de pedras, redondas, pedras roladas de um rio que ja não passa por ali. Eu tenho nos pés os sapatos errados como sempre, e ca...

É cheio de pedras, redondas, pedras roladas de um rio que ja não passa por ali.
Eu tenho nos pés os sapatos errados como sempre, e caminho insegura pelo caminho serpenteante.
Há montanha, deserto, gelo, sal e mar infinito que dá nas praias da África. Há o vale entre as cordilheiras. 
Há Pompéia , há Conimbriga e Purmamarca, há o labirinto de pedra por baixo de Napoles, uma vela branca no candelabro de porcelana em minhas mãos iluminando a claustrofobia.
Há a boca do Vesuvio , aberta para me engolir, há o ar rarefeito a me sufocar, há também dois, quatro ou cinco mil metros acima do mar.
Há marijuana fumada em Amsterdam e coca mascada no Vale de la luna. 

Há mais de 50 mil km do mudo percorridos, muitas vozes em muitas linguas e muitas lembranças em frascos: Ar de Buenos Aires, terra de um campo de concentração. Há cigarros de uma tarde a séculos atrás e o pé de um pequeno pássaro. Há o sangue de um hipócrita. 
É um longo caminho. Há muito nele. Há alegria, maravilhas, deliciosa decadência, ascensão, dor, traição, violência física e mental.

Adivinhe o que não há.

Eu sonhei contigo. As vezes acontece, geralmente é sombrio e trágico como só tu consegue ser. Janelas altas e sombras projetadas languidame...

Eu sonhei contigo. As vezes acontece, geralmente é sombrio e trágico como só tu consegue ser. Janelas altas e sombras projetadas languidamente nas paredes de um instituto de artes completamente diferente. Gabinete do Dr Caligari feelings

Nesses sonhos tenho saudade. Quando acordo eu lembro que aquele lá não existe mais. Se é que existiu.
Minhas lembranças fora dos sonhos tem uma aura de mentiras, de chantagem emocional e manipulaçao um tanto quanto infantil, impensada.

Deixo os dias soterrarem outros, memorias com os cantos desbotados. E não é assim que deve ser? De agora a algum momento não restará nem isso.

Comecei a notar outro padrão, como todos ele fico obsessiva. Em meio a uma loucura e outra aprendi que as vezes uma coisa bem ruim pode te...

Comecei a notar outro padrão, como todos ele fico obsessiva. Em meio a uma loucura e outra aprendi que as vezes uma coisa bem ruim pode te levar a repensar outras, e talvez dar uma segunda chance realmente vale a pena. Recentemente, dei uma nova chance a algo que eu considerava perdido e deu certo.
Alguns erros não devem ser cometidos duas vezes, e algumas pessoas tentam consertar os estragos cometendo mais erros, mais mentiras, uma sobre a outra até formar uma pilha delas que não se vê o fim.

Ouroboros é um ciclo eterno, uma serpente engolindo a própria cauda. Pode ser perfeito pode ser doloroso, geralmente alterna entre os extremos, enquanto eles correm pessoas se revelam, mentirosas, amáveis, ingratas, confiáveis.
Poucas coisas não consigo suportar, carregar. Sobre as pessoas, são aquelas que fingem ser algo que não são e pessoas que amam chantagem emocional, ingratidão.

Estas três coisas me afastam, primeiro por repulsa e magoa, depois o que fica é bastante interessante: nada. Descarto, como quem amassa uma folha e pega uma nova. No início dói, depois é lixo a ser retirado e por fim, não mais existe.
Em momentos assim mordo com força minha cauda. É o verdadeiro nó. Este é um deles. Concentro-me em prosseguir até onde eu consigo nisto que chamam de vida. Tento organizar os meus loucos pensamentos, tento fazer algo com aquilo que tanto me sobra: criatividade.

ps:  nome desse post também é o nome de um grupo bastante peculiar no livro "Dr Sono" de S. King.

Pessoas abandonam. Surtam, mentem, agridem. Nao importa o quanto elas tentem te convencer de que nunca fariam isso com voce, nao acredite...

Pessoas abandonam.
Surtam, mentem, agridem.
Nao importa o quanto elas tentem te convencer de que nunca fariam isso com voce, nao acredite.

Chorar no chao do banheiro, tomar banho frio, perfumar-se, vestir algo macio, calçar um lindo e impossivel salto alto e sair. Sair de m...

Chorar no chao do banheiro, tomar banho frio, perfumar-se, vestir algo macio, calçar um lindo e impossivel salto alto e sair.



Sair de mim.
Nao ser, simplesmente.

Um encontro noturno e solitario com uma fonte rodeada de cavalos alados.... Pedaço do paraíso, onde achei que seria feliz.
Enquanto isso ele consome ervas e tabacos até adormecer rindo, talvez encantado com a ideia de uma nova solidão.


... Na estrada, pensando em mil e um destinos possíveis e impossíveis. *Abri um atelie, com a garota cheiro de baunilha, rococó e so...


... Na estrada, pensando em mil e um destinos possíveis e impossíveis.

*Abri um atelie, com a garota cheiro de baunilha, rococó e sombrio, azul e vermelho sangue.

*Mudei-me lara as montanhas, vivi comendo frutinhas e trançando penas nos cabelos, ate perder a sanidade aos 43 anos.

*Casamos, em uma estranha cerimonia de veludo e rendas, tive uma menina de olhos negros e boca vermelha chamada Blanca.

*Matei-me com laudano, de forma perfeita a parecer acidente, tendo deixado um bom seguro de vida para que as crianças tenham uma vida plena.

*Matei-me nao sem antes levar o papa comigo.

*Dei a volta ao mundo,por fim  vivi na toscana com a promessa de enviar meu corpo para o convento dos capuchos em palermo.

*Envelheci só, maniatica e branquissima, e fui comida por meus gatos, que nao ficaram por muito tempo com fome, pois foram encontrados por vizinhos.

*Arrumei uma maneira interessante de fotografar meu traseiro de modo que o cristo redentor esteja a abraça-lo.

*Por fim virei gato. Passei o resto da vida no cemiterio central do uruguay, Gris me fez compania, ate que morri por comer um rato envenenado.

....cheia brilhando lá fora, como se sempre tivesse sido assim, como se nenhuma noite fosse tao escura como antes do dia em que nasci. ...

....cheia brilhando lá fora, como se sempre tivesse sido assim, como se nenhuma noite fosse tao escura como antes do dia em que nasci.
Perfume dos deuses, a beira do mar - qualquer mar - beijo de isis no rosto terno das areias.

Se lhe pudesse pedir uma dádiva,  nao seria por beleza, fortuna ou aventuras, tampouco por uma vida longa e febril. 
Pediria por aquela cumplicidade angustiante e sofrega que chamam de amor eterno.


...
¿lo que me dijiste, ciganinha? donde es "el otro lado del mar"?
...

O mundo é cruel. E se torna pior a cada segundo. Enquanto a ansiedade é sinal de fraqueza, a paciencia é uma dádiva dos deuses.

O mundo é cruel. E se torna pior a cada segundo.
Enquanto a ansiedade é sinal de fraqueza, a paciencia é uma dádiva dos deuses.

...em algum momento eu contar, nao será uma confissao, nao será cedo, nao será tarde demais. Nao será nem tempo em lugar algum. Ac...

...em algum momento eu contar, nao será uma confissao, nao será cedo, nao será tarde demais.
Nao será nem tempo em lugar algum.




Acorda, acorda pequena, deixe de sonhar, os sonhos desvanecem se nao contar ao papel.

Empty spaces - what are we living for Abandoned places - I guess we know the score On and on, does anybody know what we are looking for... ...

Empty spaces - what are we living for
Abandoned places - I guess we know the score
On and on, does anybody know what we are looking for...
Another hero, another mindless crime
Behind the curtain, in the pantomime
Hold the line, does anybody want to take it anymore
The show must go on
The show must go on, yeah
Inside my heart is breaking
My make - up may be flaking
But my smile still stays on

Whatever happens, I'll leave it all to chance
Another heartache, another failed romance
On and on, does anybody know what we are living for ?
I guess I'm learning
I must be warmer now
I'll soon be turning
Round the corner now
Outside the dawn is breaking
But inside in the dark I'm aching to be free
The show must go on
The show must go on, yeah yeah
Ooh, inside my heart is breaking
My make - up may be flaking
But my smile still stays on

(Sobre o "amor" em cinco angulos) Era de um jeito tao dificil, arredia, timida e complexa, mas derreteu meu coraçao. impossiv...

(Sobre o "amor" em cinco angulos)

Era de um jeito tao dificil, arredia, timida e complexa, mas derreteu meu coraçao. impossivel de saber tudo o que lhe ia na alma, eu ia costurando as memorias, contadas assim, tao soltas, e formando na minha cabeça aquilo que ela realmente era, e o resultado foi uma catastrofe : ela era a mulher da minha vida.

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Mandou-me vestir uma jeans, ou sugeriu tal coisa, para que eu nao andasse com as pernas a mostra. Fiquei aterrorizada, exagerada como sou. Amo minhas pernas, adoro mostra-las.  Ja nao sabia se isso era por ciumes, nao mo parecia.... Nao acho que eu vá descobrir em algum momento.

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Jamais posso ceder - ele pensava guiando o carrinho de compras pelo supermercado lotado - faço o que faço e ela que aceite, e siga, e se iguale e se submeta. Transo quando eu quiser transar. Como o que eu quiser comer. Visto o que quiser vestir. Se ela vem julgando estar sexy, a acho vulgar só por que quem tem que iniciar o clima sou EU, nao ela.

De subito ele para o carrinho e confere na lista : " que diabos.... Nao tem o fermento que ela prefere, vou ter de ir a outro supermercado"

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ia pensando enquanto passava os olhos por uma curta lista de suas divas pornos favoritas: Grande coisa. Me serve para passar o tempo. Nao me custa nada. Nao me atrapalha em nada. Nao fará diferença quando acabar. Posso viver sem isto. Nao, nao é especial. Nao preciso dela aqui.

Nao. Nao posso viver sem ela. Maldita seja aquela mulher.

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"Diaba branca" - ele dizia com as duas maos a apertar-lhe a garganta - " quero te matar por que contigo por perto nao consigo ser feliz com qualquer mulher".
Ela ia perdendo os sentidos lentamente....ele podia ver que ela estava morrendo. Tinha os olhos fixos na lua cheia enorme e branca, a boca rosada entreaberta. Nao lutara, deixara-se estrangular assim, deitada no meio das folhas secas. 

...Nao é mais do que um risco atravessando a tua vida, marcado na pele da palma da tua mao. Nem é o toque cortante dos deuses, ou o fi...

...Nao é mais do que um risco atravessando a tua vida, marcado na pele da palma da tua mao. Nem é o toque cortante dos deuses, ou o fio tecido na teia das tres bruxas.

É sim o que quase trava e amarra a lingua, que enforca, que se torce, o risco dos riscos, a linha desenhada que forma o punhal, linha que me atravessa a pele ..... Que marca nos ossos as palavras sofridas de minha rendição.

Que menos letal fosse, nem por isso deixaria de marcar-me, ainda seria onda furiosa, o olho de deus em todo um turbilhao.

Observo atenta e me pego sussurrando:
" é grave. tenha coragem pequena"


(Sorrio de dentro da terceira noite em que ja em profundo sono, abro os olhos e levanto-me para escrever)


....começo de tudo.  "A vida é um circulo, como a terra, como a lua, ou como as curvas das mulheres mais proximas dos deuses.........


....começo de tudo. 
"A vida é um circulo, como a terra, como a lua, ou como as curvas das mulheres mais proximas dos deuses......" - foi o que ele me disse certa vez, andando com os passos firmes de que me lembro, o velho sotaque russo a arranhar-lhe os labios.

Quando se olha para outra pessoa, o que se ve é isto mesmo: aquilo que faz de nós um começo, e o que fará de nosso corpo o final.
"Nos falta olhar" ele dizia "olhamos tao pouco, tocamos tao pouco que é só nestes raros segundos, raros instantes sabemos que somos reais."

Vivo por conta de uma quimica subjetiva, encapsulada, vendida. Antecipo o fim do circulo, lhe detesto, o vejo por esse buraco de fechadura..... no espelho.

Achei que entendia, mas levei tanto tempo, tantos anos para compreender. Preciso olhar mais, cheirar, tocar e provar, por que ainda nao vi o final, nao vi o fechamento, nao sei o destino. Ainda nao vi tudo. Quero tornar real. Quero tornar-me real. 


"Foi um segundo só" pensou o velho, observando a granulaçao do asfalto bem proximo do olho esquerdo Calculava muito bem o tem...


"Foi um segundo só" pensou o velho, observando a granulaçao do asfalto bem proximo do olho esquerdo
Calculava muito bem o tempo, desde jovem, nunca tivera problemas com o relogio. Chegava sempre cedo, quinze minutos adiantado, era um cavalheiro, tal qual o pai o ensinara. 
Como errou os segundos naquela manhã? Levavam exatamente 23 para atravessar a rua.

...
" Vaiser o que tiver de ser" pensava ela, o rosto dorido apoiado no volante do carro. O velho amor adormecido no banco do carona.
"Acho que está só dormindo" ela pensou.... "Tudo vai ficar bem."

...
"Eu nao devia ter-lhe dito... Que nao mais lhe tinha tesao" ele sussurava para si mesmo, sentado em um declive, vendo o sol se por no mar del plata. Conjecturava se era nisto que ela estava pensando quando bateu o carro contra o corpo daquele velho. Mas e depois? Nao lembrava... Nao lembrava como tinha chegado ali.

... Uma estranha corrente eletrica, dentro do peito. Dói, mas é bom. Lembra mesmo uma mordida, no coraçao.

... Uma estranha corrente eletrica, dentro do peito. Dói, mas é bom.

Lembra mesmo uma mordida, no coraçao.

Doce, doce.... E me deito pensando que pouca coisa importa. Mas isto é meu velho eu, um velho eu que importa tao pouco. Deito e sonho li...

Doce, doce....
E me deito pensando que pouca coisa importa. Mas isto é meu velho eu, um velho eu que importa tao pouco. Deito e sonho livre, como uma menininha.
Eu dizia sobre meu velho coraçao, que tenho as vezes sede de morde-lo, como uma maçã vermelha e suculenta. Eva me diz: Nem toda dor é ruim.

Um segundo que fosse, grande coisa, nesse mundo tao vasto de nossas memorias de sonhos nao realizados. O inferno é estar vivo e nao viver. O inferno é andar só, e tao só nunca ter conhecido alguem que é tao semelhante consigo mesmo.

"É pra ser o que é pra ser" ela diz. E eu....com meu coraçao que atropela tudo... Só quero um segundo. É pedir muito? Ja nao ligo para o que deve ser, desde que seja e nao caia para sempre num espiral de descontentamento.

E se nao....... Entao que eu sonhe acordada um pouco mais, e seja uma menina, sem medo.

One bite.....

meu vestido vermelho de veludo consumiu-se. eu guardava a coroa de flores de minha inocência em uma caixa de lembranças, ambas aniquilaram-...

meu vestido vermelho de veludo consumiu-se.
eu guardava a coroa de flores de minha inocência em uma caixa de lembranças, ambas aniquilaram-se. mofaram e se desfizeram, com o passar dos anos, com o incêndio que ocorreu certa vez...

eu podia matar e morrer. congelaria o tempo, manteria-me intacta....
mas mesmo os mortos envelhecem.

não fui chamada, vim só e por mim só. por meu próprio gosto, desejo, vontade. vim banhar-me... tal como o padre contou a todos.
ja não importa a verdade da ambição.... do roubo daquilo que era meu, de minhas vastas terras e sonhos.
ja não importa por que fiquei marcada.  maculada, com uma mancha indelével na minha razão.

já tudo o que existiu se foi. minhas perolas, meus tecidos da índia...... e meus filhos agora sao pó.
meu nome, marcado para sempre na boca de alheios.
nao fui chamada, mas aqui estou. sei que precisa de mim....aqui estou e lhe digo: beberemos juntas o cálice dos argumentos.

meu corpo voltando ao que era. minha mente se perdendo mais a cada dia que passa. voce ainda vem aqui?




meu corpo voltando ao que era.
minha mente se perdendo mais a cada dia que passa.
voce ainda vem aqui?

O mar respira por mim, com imensos pulmoes. Enche meu peito, oxigena meu cerebro. Ela me segura, flutuando na agua. "Canta a musica do ...

O mar respira por mim, com imensos pulmoes.
Enche meu peito, oxigena meu cerebro.

Ela me segura, flutuando na agua. "Canta a musica do peixinho" eu peço.
Ela canta, suave, a me embalar.
A onda vem e eu flutuo só, por uns instantes, até sentir os braços dela sob meu corpo, assim que a onda se vai.
Confiança.

O mar fica logo ali, a mesma agua de sempre. Infinita e salgada, raivosa e tranquila.
Só escuto..... E ele enche meu peito, imensos pulmoes.

My blood for a conversation.

My blood for a conversation.

ela era doce como o mel daquelas pequenas flores brancas de jardim. mas mesmo aquelas flores nascem no meio de espinhos, é um toque de doç...

ela era doce como o mel daquelas pequenas flores brancas de jardim.
mas mesmo aquelas flores nascem no meio de espinhos, é um toque de doçura e de dor sem igual.

em um dia de outono, rodopiando dentro de minha cabeça ela disse
"se me perder, nunca mais me terá de volta"

ela reina no meu mundo, rainha dos meus sonhos de doçura, coroada com espinhos.
jamais a terei de volta.


Abri os olhos, numa rua escura e humida. Lembro de passar algum tempo admirada com as lamparinas a oleo, na calçada das casas. Sempre esto...

Abri os olhos, numa rua escura e humida. Lembro de passar algum tempo admirada com as lamparinas a oleo, na calçada das casas.
Sempre estou de pés descalços nestes momentos, e mesmo no chao molhado nao me incomoda, foi ate curioso de ver, os meus pés tao brancos naquelas pedras do pavimento.
Tentei descobrir onde estava.
Uma tosse brusca e virulenta atras de mim, e notei que um homem entrava numa casa ali adiante... A dizer "muito obrigado, muito obrigado...." E cobrindo a boca com um lenço.
Cheguei perto e coloquei-me sobre a baixa grade das janelinhas do porao, na parede da frente do solar, de modo a ver pelas janelas suadas do primeiro andar.
Havia uma fresta por onde eu pude sentir o cheiro viciado e tao incomum dos charutos cubanos de qualidade.
Um homem fumava de pé junto à lareira, o outro entrava atarantado.
" é de maus modos usar as golas assim Edgar, quanto mais uma visita a esta hora"
" nao pude adiar, é um fenomeno sem igual, simplesmente uma delicia, e sabe que nao digo isto muito frequentemente...." -novo ataque de tosse o sacudiu.
" nao quero saber, homem, vá para casa. Lucius! Leve o senhor edgar para a porta."
" nao nao , nao há duvidas que nao me deve despachar assim, veja bem"
Ele se agarrara à poltrona com as maos como se fossem garras. Nao queria sair. O criado apareceu à porta.
"Faz mal Edgar... Faz mal. Sente-se ai, mas te aviso! Nao me posso mais com lamurias de amor, nem dar-lhe nada por elas. As senhoras ja querem mais do que isto. - ele fez um gesto e sentou-se, metendo o charuto no canto da boca e inclinando- se na grande poltrona de pele de pessego- Lucius... Traga-me gim."
"Devo trazer dois, senhor?
"certamente que nao, meu caro Lucius, o nobre Edgar aqui nao agrada-se desses vicios."
Lucius saiu e edgar remexeu-se na poltrona mordendo os labioos e corrigindo a gola freneticamente, tentando tossir baixinho. Me mexi tambem, os pés na grade e as maos no parapeito da janela. Queria poder ver melhor. Na rua, ninguem passava, e as casas tinham luz nas janelas superiores.
"Vamos com isto edgar. Nao tenho mais minha mulher, mas nao vou assim tao tarde para a cama."
"Senhor, quero que leia isto. - a tosse veio brusca, de mau aspecto, e ele tentou recompor-se - Por meu coraçao, por minhas pernas e meu bolso lhe rogo."
" vao lhe quebrar de novo edgar, nao vao? Nem mesmo quero saber quanto lhes deve, e pressinto um desastre com o que tens ai. Se for um sucesso, afoga-se em alcool e opio, e tua mulher me vem aqui lamuriar suas penurias."
"Mas o mundo precisa destes, lhe juro. Vendo-lhe minha alma, ao menos os leia!"
Vi ele tirar de dentro do casaco umas folhas amarrotadas. O velho bebericava o gim, que lucius trouxera. As maos do tal edgar tremiam. Prestei-lhe maior atençao. nao era muito alto...usava uma estranha gola de camisa com um colete amassado. O casaco tinha remendos feitos com uma linha grossa, branca. Lembrava-me alguem, naqueles modos freneticos e cabelos bagunçados.... Um par de olheiras de boemia.
"Muito bem, muito bem, mas agora se vá- disse o velho recolhendo as folhas das maos tremulas do homem a sua frente- Lucius, sera que pode....
"Eu conheço o caminho"
Fiquei parada ali, a olhar o homem na poltrona a ler as folhas e um estalido ao meu lado me acordou. O homenzinho pulara os degraus de dois em dois, e sorria, ate que me viu.
Ainda em cima da grade fiquei sem respirar olhando para ele.
"Posso lhe ver, sonhadora." Ele me disse me estendendo a mao e tossindo gravemente, cobrindo a boca com um lenço na outra mao.
Desci da grade para o chao e ele me olhava os pés, voltou a me sorrir e disse "e és bela, nao se esqueça. Me agradam essas belezas arrebatadoras, que rasgam a pele e nos arrancam pedaços! "
Eu sorri.
"Adeus, querida, ja nao há tempo, tenho aqui alguns niqueis no meu bolso, e para mim, a noite é longa."

Foi entao que acordei, e em um susto pensei "Poe."

Red Dragon - Thomas Harris


Red Dragon - Thomas Harris